quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

331. Noites malditas



Amaldiçoei as noites
Em que caminho rapidamente 
por ruas desertas
sozinha...
Em direção ao fim.

Veículo de ilusões
Que enchem sua cara
de fortunas e glórias e mentiras
Pra depois roubar sua alma,
Te dar porrada...
E te mostrar que no escuro da noite
Você não é nada.

MDansa
imagem: acervo pessoal

330. Tatuagem



Hoje foi o dia de rasgar a pele
Ferir e sentir a carne doer
Risquei flores e lembranças
A dor da ferida me salvou do inferno
Escolhi espinhos
Que agora me perfuram e
Me mantem no mundo
Alinhei caules sedentos ressecados
Que juntos sugam da pele o suor
Destilam seu sal
Que escorre e arde as lesões
A água mata a sede
A mesma água que sobrou da última chuva dos sertões
hidrata agora a alma
afoga sofrimentos
Minha pele estraçalhada sente, arde, queima
...Entra em colapso
Mergulho na escuridão da dor
Agulhas competentes induzem apoptose
(apoteose)
Desmonte, reconstrução
Morte na dor
Embate, holocausto
(Resistência)
últimas forças se extinguindo
quase morro 
de pena de mim
Então me vi.... revivendo em cada célula se reconstruindo
cada célula nova que brota agora carregada de tinta e de saudade
refaz a minha eterna paisagem.
(Resiliência)
em breve será só cicatriz...

MDansa
imagem: acervo pessoal

329. Rugas



Hoje mirei direto, meus olhos num espelho
- Ele me refletia dias vindouros
Enxerguei na pele rugas que ainda não tenho
Exatamente nos cantos
Onde brotarão
Vi as dores que carregarei
traçarem marcas indeléveis
Vi meu destino inescapável
Cada sinal de futuro, de fim
Saltou aos meus olhos
sorriu pra mim
me deu boas vindas...
O que virá já vive em mim
Como rugas que os anos só aprofundam.

MDansa

imagem: http://www.portalnatural.com.br/doencas-e-tratamentos/rugas-tratamentos-naturais/#axzz2nt0RUnRX

328. Reino dos monstros de seis pernas



Monstros avançam apressados
Cavalgam pela planície
engolem  iguarias enguias
destroem flores
das casas dos colonos
Fingem-se ferozes pra incendiar o medo

Monstros de seis pernas
trotam velozes raivosos
pelas planícies
Relincham e gritam monstruosidades
Atiçam fogo às vilas
Como dragões desajeitados

Monstros...
São monstros que vejo
Destroçam humanidades
Cultuam demônios, trevas e carnes apodrecidas
E reinam soberanos....
Pois não existem mais heróis...

MDansa

imagem: http://www.wallibs.com/desktop-wallpaper/1920x1080/monster-three-background-21376.html

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

327. Dias repetidos




O tempo parou novamente
Uma espera um tormento

Se sinto parar o tempo
É porque esbarro em emoções
Que me mantêm  presa àquele segundo secular
que me congelam
Não absorvo não transpiro não respiro
alma suspensa
O que virá?

Parada no tempo
Crio bolor em sacos plásticos vedados
Que mostram na sua transparência
a alma estagnada
até  faltar ar e até cessar o vento
o sol a vida
... apodreço

Se paro no tempo
Escutando as mesmas canções repetidas
Ensurdeço
Esqueço
o prazer de descobrir o som da mesma alma
Em novos acordes dissonantes

Se-paro no tempo
os segundos que valeram a pena
Sou alma que baila solitária
Numa caixinha de música
Eternamente
Redundância e desperdício
Ciclo sem fruto
Saco sem fundo
Árvore sem produto
Apenas lembranças recorrentes caras sagradas
Que paralisam
E impedem novos sóis de brilharem

Se me amparo no tempo
Revivendo estas rotinas
Na segurança destes dias preciosos
Não há sobressaltos
Nem surpresas
Nem estragos

O céu se carrega de nuvens
Mas não haverá mais espetáculos de tempestades
Nunca mais choverá

MDansa

imagem: http://www.interne.com.br/informativo/index.php?option=com_content&view=article&id=2476