domingo, 29 de janeiro de 2017

478. Tiempo

Talvez seja tarde
mas às 21:35h ainda é claro
portanto ainda é tempo
pois não anoiteceu

Se não anoiteceu é dia
e talvez de dia ainda reste um tempo
e um tempo é tudo que preciso
antes que não me reste nada.

15/01/2017
Pucon

477. Entre tarde e noite

Tudo o que estremece agora é a tarde
uma tarde quente e preguiçosa
que já é mais que uma tarde
mas ainda não é noite

Neste intervalo inominável
indecifrável fervo
e sinto respirar o céu e cochilar o sol
pássaros esperam a siesta e espreitam o tempo
que avança lento
pra que não seja esquecido..

15/01/2017
Pucon
porque anoitece quando já é noite

476. Conta-gotas

gotejo esvaindo-me em sangue
meu dia é longo e derradeiro
a força de um vulcão me acompanha
saio e escorro como lava e lágrima recorrentes

me esforço para estar no mundo
como um longo suspiro de quem ama
no trajeto me perco
e as vezes lembro de tudo
que suspende a respiração

logo esqueço e reinvento histórias
que não são aquelas que foram por mim sonhadas
mas aquelas que precisam ser por mim vividas

gotejo aos poucos minhas lagrimas
gotejo nada e tampouco minhas dúvidas
gotejo porque aos poucos escorro minhas mágoas e nego...
nego-te 7 vezes,
mas não basta
meu amor escorre por todas as paredes

15/01/2017
Pucon

475. El niño

O menino salta
é noite
acendem luzes em seus sapatos
crescem asas em seus tornozelos
explodem alguns foguetes em seus pés

Poderia voar alto mas nem teria graça
por isso só salta
num vai e vem de alegria

de todas as pessoas estagnadas na cena
só o menino acende e voa.

14/01/2017
Viña-Pucon

474. Hasta el fin del mundo

Camino hacia el fin del mundo
La luna espera todavia alli
Somos muchos y nadie
Somos tantos e nenhum
Somos tan pocos y lo mismo
Somos tan solos cuanto desgraciados
pero caminamos juntos
hasta el fin do mundo
buscando la luna

14/01/2017
Viña-Pucon

473. Luz e lava

Sol sólo uno
un muro que construye
límites
ilumina
luz infinita
luz que vive como fogo
e você imutável
imóvel nas sombras
enquanto tudo por dentro se movimenta
tentando se reorganizar
dança por dentro
face de pedra por fora

represa vulcão dorminhoco
represa tudo de novo
até não aguentar

15/01/2017
Pucón

472. as casas de lá

As casas são modestas
As casas se alimentam de madeira e zinco
As casas cultivam flores em seus muros de pedra
As casas guardam praças e segredos
As casas ocupam sonhos e melodias
As casas sonham mosaicos de pedra e espelhos
As casas devoram poesia
As casas são livres.

13/01/2017
Valpo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

471. Rio de novo em janeiro

O Rio (de) janeiro é vazio
parece esperar o carnaval
em um compasso silencioso e morno
e desatento

Ou sou eu, de alguma maneira, triste?

Talvez seja só esta sexta-feira solitária
um fim de dia ...
e eu remando contra o por-de-sol no arpoador

06/jan/2017


terça-feira, 29 de novembro de 2016

470. Escorrega


Escorrego daqui e me vejo no chão
Em uma viagem atônita sem folga sem folego
Escorrego por milhares de vãos, ondulações sensoriais
Dobras do tempo azeitadas e gordurosas
Escorrego entre verdades serosas impermeáveis
E me estraçalho em mentiras itinerantes impenetráveis

Tolero segredos sinceros vestidos de dourado
Até que eu corra perigo
E o freio falhe E o abismo eu aviste
E o futuro eu vislumbre sem volta Enquanto escorrego
Com a poesia mórbida entre os dentes
Arauto do fim, Profeta do caos, Mecânica de dedos e letras
Cuja força e certeza violentam cada tecla enquanto rebatem
Ritmicamente, profundamente
enquanto você se debate
tentando escapar
Violeta mente
Via lenta rente
Via certa lente
Via letra gente
Vislumbre que é lúgubre
Deslumbre que é fúnebre
Luz Tombo Portal
Saída Conclusão Final
Tino destino Umbral
Me esborrachei até aqui e não vou muito longe

MDansa

20/08/2016

sábado, 5 de novembro de 2016

469. Sobre os seios de Maria Alice

Corpo, marcas, cicatrizes, rugas...
consequências dos dias vividos,
da historia de cada um.

A lição aqui é amar a si mesmo,
é aceitar estes presentes do tempo,
é aprender a vislumbra-los sem se machucar,
é perceber que o fluxo da vida é belo,
e que o tempo é um escultor de carnes e peles e cabelos e formas,
moldando obras de arte dinâmicas e pleomórficas.

Temos muito o que aprender ainda sobre a vida
pra enfrentarmos com lucidez e serenidade essa inexorável transformação.
A beleza da mariposa que só pode ser vista pela ótica da sabedoria.
Quem não vê beleza aqui,
nunca será feliz consigo mesmo
nem com o que lhe foi ou ainda será oferecido pela natureza.

MDansa
06/11/2016

http://mortesemtabu.blogfolha.uol.com.br/2016/11/03/os-seios-de-maria-alice/